É o jornalista que capta informações, apura, checa, confronta e redige. Deve reunir grande capacidade de registrar e analisar fatos e detalhes a que o leitor não tem acesso. Trabalha como uma espécie de intérprete e deve por isso escrever com correção e clareza, sem ser trivial. Ë quem vai apurar a história e depois escrevê-la. Precisa ser alguém flexível, não se incomodar com imprevistos, não precisar de horários fixos, for extrovertido, gostar de conversar, ser ousado.

“Essa questão de ter fonte realmente é muito boa. Primeiro vem a confiança. Eu me lembro que os grandes furos jornalísticos da reportagem policial de Uberlândia que são atribuídos a mim, e que de fato, realmente eu os dei, foi por causa de fonte. Hoje os repórteres não têm mais fonte. Acabou isso. Eu vou citar um caso. Foi em 1999, 16 de fevereiro, a famosa explosão no centro da cidade. Eu era um repórter policial, investigava e tudo… Aquele caso foi uma questão de confiança, de fonte. Uma fonte que acompanhava o meu trabalho, sabia da seriedade… Eu lá dentro do Fórum de Uberlândia. Ele chegou para mim, me chamou e falou assim: você sabe por que explodiu? Falei não, por quê? Por causa de um seguro de 1 milhão. Informação exclusiva, foi capa no dia seguinte.”
Pedro Divino Rosa
Repórter é rua. E a gente ia todos os dias. Não tinha essa coisa de primeiro telefonar. Naquela época era tudo muito caro, ligações telefônicas, não era todo mundo que tinha. Então você tinha que ir para a rua mesmo e sair com motorista e ir nos lugares. E aí sim, a pauta geralmente mandava dois, três lugares para você construir um texto, porque você tinha que ouvir todos os lados. Às vezes, a gente ia para o outro lado da cidade e aquela coisa de ver buraco na rua, de ir para a prefeitura. Ao mesmo tempo, você está dentro de uma grande empresa. Assim eu falo que o gostoso era corrido, você passava fome, você passava sede, calor, mas era gostoso porque você tinha contato com gente. Então você ouvia a história pessoalmente, olhando nos olhos. Depois veio um Messenger, né? Ali fazer entrevista daquele jeito era muito frio, então o gostoso era ir para a rua. E eu senti falta na editoria justamente desse contato humano.
Margareth Castro
